
Com todos e com ninguém
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Não encontrar o grande amor de sua vida é como sentir saudade de alguém que você não conhece.
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Sinto-me assim, muitas vezes. É como um vazio, sinto falta de alguém que está por vir e que nem mesmo sei se existe. Essa espécie de dor às vezes aumenta, às vezes diminui, mas está sempre presente.
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É triste não nos contentarmos com as várias formas de amor que nos rodeia. Não importa quantas pessoas conhecemos, quantos amigos temos, se temos uma família maravilhosa ao nosso lado e, no meu caso, os leitores... queremos um único amor em especial. Isso parece-me pequeno demais. Mas é assim que a maioria de nós é. Somos imperfeitos.
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Olha que interessante: nessas minhas idas e vindas à tv, acabei fazendo amizade com algumas pessoas conhecidas. Quando saio com eles, todos as reconhecem, vêm cumprimentá-las, bajulam, tiram fotos, ficam olhando e comentando. Mas depois de um tempo convivendo com elas, percebi que sentem o mesmo vazio que nós, porque sabem que, no fundo, muitos se aproximam para aparecer ou por interesse.
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No meu caso, muitos leitores me escrevem com distância, achando que tenho um milhão de contatos e amigos e que não terei tempo para eles, quando na verdade, se um deles me convidasse para tomar café na padaria, eu iria. E hoje, tenho certeza que muitos artistas e modelos que você vê por aí fariam o mesmo se as pessoas se aproximassem. Faça um teste você também (mas compre uma Ferrari antes - brincadeira, gente!) A solidão não escolhe as pessoas como um vírus, pois ela nasce dentro de cada um. Não importa você ser reconhecido pelo mundo inteiro. Importa, sim, sentir-se amado. Mas infelizmente, como já disse, somos tão egoístas e bobos que todo o amor do mundo não nos basta. Queremos mais. Queremos alguém em especial para amar (e que nos ame também). A mulher ou homem de nossa vida...
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(DAOLIO, Evandro Augusto. Ria da minha vida antes que eu volte a rir da sua. São Paulo: Arx, 2002)
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