terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A nossa poesia




A nossa poesia

Quando a sede de amar chegar
E o desejo não conseguirmos mais controlar
Faremos poesia...

Não importa a distância, nem a circunstância
Nossa poesia será escrita com urgência
Ávida, eloquente, faminta...

Poesia intensa e ardente
Poesia que sacia
Poesia repleta de prazer
Poesia que acaricia

O meu mundo não pode mais ficar sem a sua poesia
Ela será sempre escrita e reescrita todos os dias!

By Regina

Bem ou mal



Bem ou mal (Vânia Abreu)

Pode ser que seja normal
Acordar querendo te ver
Pode ser que seja fatal 
Pra mim ficar sem você

Pode ser que o amor seja assim
E o remédio seja esperar
Pode ser que eu ria de mim
Quando tudo isso acabar

Antes que eu sinta mais saudades de você
Quem sabe a gente não se encontra pela rua
Ainda é cedo e tudo pode acontecer
A chance é toda sua

Pode ser seu jeito de olhar
Um sorriso basta pra mim
Faz o mundo inteiro parar
Faz o coração dizer sim

Pode ser que eu queira demais
E você nem queira saber
Pode ser que seja fugaz
Mas eu quero estar com você

Eu visto a roupa mais bonita pra te ver
Quem sabe a gente não se encontra pela rua
A noite cai e tudo pode acontecer
Debaixo dessa Lua

Bem ou mal 
Tudo se mistura, tudo é natural
Prazer e tortura juntos, bem ou mal
Se você quer calma eu quero temporal
De amor e prazer...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Todo filho é pai da morte de seu pai...



Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. 

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. 

É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. 

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. 

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. 
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece
somente no enterro e não se despede um pouco por dia. 

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

— Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

(Maurício Carpinejar)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Feliz da vida




Feliz da vida (Ângela Rô Rô / Paulinho Moska)

Sonho, esperança encontrar alguém assim
Feito na medida do amor
Tanta coisa boa essa onda de prazer
Quero por que quero só você
Pra que fugir de ser feliz da vida?

Por que o medo de sorrir como uma flor
Sentir o cheiro do desejo nu?
Não vá negar ou esconder
O que é meu, meu bem
Eu quero muito, quero tudo, vem
La rá rá ia

Como se espalhasse um perfume pelo ar
Toda vez que a gente vai amar
Que delicadeza e riqueza de viver
Quero por que quero só você
Pra que fugir de ser feliz da vida?
Por que o medo de sorrir como uma flor
Sentir o cheiro do desejo nu?

Não vá negar ou esconder
O que é meu bem, meu
Eu quero muito, quero tudo, vem
Não vá negar ou esconder
O que é meu, meu bem
Eu quero muito, quero tudo, vem

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Me beija de novo pela primeira vez...



Não me fala de paixão. Começa de novo, me descobre. Tenho cócegas nos pés e muitos medos nas mãos. Brinca com meus dedos. Me beija de novo pela primeira vez. Deixa meu corpo te esperar, leva minha paciência ao limite. Testa minha resistência que eu faço questão de perder.
Deixa eu ser bailarina para tua respiração. Acrobata na corda bamba do teu desejo. Escorre pelo ralo as expectativas. Silencia a rotina e deixa as intenções falarem. Deixa a textura da tua pele arrepiar. Me borra o batom, me despe de mim.
Que o calor das tuas mãos aqueça meu corpo e me deixe de alma leve. Me segura pela cintura e não me deixa fugir. Percorre minhas costas devagar. Liga meus pontos e descobre teu desenho. Faz do teu desejo meu suor.
Ri de ti e comigo. Cobre com lençol a falta de intimidade, deixar o sorriso mostrar o segredo mais guardado. Me olha de todos os ângulos e descobre meus sinais. Deixa eu bagunçar teu cabelo com carinho e com desejo. Te virar do avesso pra me encontrar.
Me serve um vinho, brinda o momento. Comemora o que nos tornamos, redescobre o que somos. Batuca para o meu samba, deixa que eu desafine por nós. Fala de nós com a certeza da eternidade e com a naturalidade da leveza.
Me dá uma noite intensa pra me lembrar que há uma história leve. Me lembra que o amor é renascimento e começa um novo capítulo.
(Marina Melz)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Feliz aniversário, papai!



Se estivesse vivo, hoje papai estaria completando 83 anos... 

Às vezes, não dá pra acreditar que ele não está mais conosco, sentado à mesa na hora das refeições, na sala assistindo tv ou cuidando do jardim e dos passarinhos, como costumava fazer...

A imagem que me vem na cabeça, ainda, quando penso nele é de que foi uma pessoa muito trabalhadora, honesta, simples...

Papi não curtia sair, ir a festas, reuniões... preferia ir pescar ou cuidar das plantas, flores... adorava mesmo era de mexer na terra, conversar com as verduras, legumes, que lidou por tanto tempo, desde sua infância...

Era um homem muito íntegro, bom de coração mesmo... não tinha maldade, chegava a ser ingênuo em certas situações... e era exatamente por isso também que eu o admirava.

Ele era meu porto seguro, meu guru, meu amigo, confidente... Quando um de nós, seus filhos tínhamos algum problema, alguma dúvida, era a ele a quem recorríamos... e sempre saíamos mais leves depois que conversávamos com ele...

Foi meu pai quem me ensinou a dirigir (muito bem, por sinal), a descascar uma laranja, a passar a mão na barriguinha quando sentimos dor, dizendo que na palma da mão havia remedinho... 

Tudo isso e muito mais levarei pra minha vida inteira... Ele se foi, mas apenas fisicamente porque sua alma, seus ensinamentos, sua marca ficarão eternamente presentes no meu dia-a-dia, no meu modo de ser e agir...

Porque meu pai me ensinou a ser do bem, mesmo que o mundo não retribua, mesmo que a vida seja ingrata... ser uma pessoa do bem...

Papai, te amo! Esteja muito feliz aí, obrigada por ter me dado esta oportunidade de ter sido sua filha nesta existência... 

Eternamente grata...

Meu coração é seu... sempre será... ♥

(By Regina em 14/08/2014)

domingo, 10 de agosto de 2014

Papai



Papai, feliz dia dos pais!

Obrigada por ter sido um pai tão maravilhoso, que me ensinou a viver, me ensinou a ser forte...

Muita saudade de você, espero que esteja bem hoje e sempre...

Te amo por toda a eternidade...


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Tanto faz...



Tanto faz (Fagner)

Tanto faz pra você
Eu sei, tanto faz
Sei que me enganei
Não dá mais
Pra viver de ilusão
Deixei sofrer meu coração
No seu fiquei em vão

Sem você
A vida é sem sentido
Sem você
Me perdi no paraíso

Quero saber
Se ainda pensa em mim
Porque o tempo que durou
Foi bom, nós dois as sós

Não vem dizer pra mim
Que você sabe amar
Como posso sorrir
Se você me fez chorar

Quando o verão
Passou por mim
Chorei o mar
Esfriei o sol

Eu deixei queimar
O meu coração
Eu fiquei tão mal
Tão só com a solidão
Mas o inverno vai passar
E esse dia vai chegar
E você vai voltar pra mim

Eu sei, eu sei
Vai voltar
Eu sei, eu sei


Para você, André...

sábado, 2 de agosto de 2014

A velhice




Ana conta que seu filho pequeno - com a curiosidade de quem ouviu uma nova palavra mas ainda não entendeu o significado - perguntou-lhe:

_ Mamãe, o que é velhice?

Na fração de segundo antes da resposta, Ana fez uma verdadeira viagem ao passado. Lembrou-se dos momentos de luta, das dificuldades, das decepções...

Sentiu todo o peso da idade e da responsabilidade em seus ombros. Tornou a olhar para o filho que, sorrindo, aguardava uma resposta.

"Olhe para o meu rosto, filho", disse ela. "Isso é velhice."

E imaginou o garoto vendo as rugas e a tristeza em seus olhos. Qual não foi sua surpresa quando, depois de alguns instantes, o menino respondeu:

_ Mamãe!! Como a velhice é bonita!! 

(Autor desconhecido)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dois anos sem papai...






Há dois anos estava eu sofrendo junto com meu pai naquele leito de hospital, pedindo ajuda aos médicos e enfermeiras e, não sei se por incompetência ou falta de vontade mesmo, deixaram que meu pai partisse da maneira mais dolorosa, cruel e indigna possível...



As feridas ainda não se cicatrizaram completamente e acho que nunca vão se cicatrizar, porém, hoje já consigo compreender que a vida segue para quem fica... e que devemos valorizar cada momento, cada segundo de nossa vida que é tão frágil e insignificante perante Deus e o Universo...



Não sei e talvez nunca saiba os motivos do porquê de tudo, mas se existe mesmo vida após a morte, que meu pai esteja num lugar muito bonito, cheio de flores que ele adorava e perto de algum rio ou mar para que ele possa pescar e se divertir bastante, pois era o que ele mais gostava de fazer...



Muitas saudades, meu pai! Você foi meu grande herói, um exemplo de ser humano que nunca vou me esquecer... Te amo!!