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terça-feira, 7 de maio de 2013

Amor em Paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Vinícius de Moraes

sábado, 5 de maio de 2012

De vez em quando...

De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.
(Adélia Prado)

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Sobre todos os cumes..."




"Sobre todos os cumes quietude, Em todas as árvores mal percebes um alento, os pássaros emudecem na floresta, esperas só um pouco, breve descansarás também."




(Johann Wolfgang Von Goethe)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Re, parabéns pelo seu aniversário!!! Paz e muito boa sorte hoje e sempre!!!

.



Leveza


Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,

mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.


E o que lembra, ouvindo-se

deslizar seu canto,

mais leve.


E a fuga invisível

do amargo passante,

mais leve.

(Cecília Meireles)



(Tsuru - A ave sagrada no Japão; simboliza saúde, fortuna, boa sorte e felicidade!)

.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Soneto sentimental à cidade de São Paulo




Ó cidade tão lírica e tão fria!




Mercenária, que importa - basta! importa




Que a noite, quando te repousas morta




Lenta e cruel te envolve uma agonia








Não te amo à luz plácida do dia




Amo-te quando a neblina te transporta




Nesse momento, amante, abres-me a porta




E eu te possuo nua e fugidia.








Sinto como a tua íris fosforeja




Entre um poema, um riso e uma cerveja




E que mal há se o lar onde se espera








Traz saudade de alguma Baviera




Se a poesia é tua, e em cada mesa




Há um pecador morrendo de beleza?








Vinícius de Moraes




(Dia 25 de janeiro de 1554 fundação da cidade de São Paulo. 458 anos! Parabéns!)








terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Soneto de separação





De repente o riso fez-se o pranto



Silencioso e branco como a bruma



E das bocas unidas fez-se a espuma



E das mãos espalmadas fez-se o espanto.




De repente da calma fez-se o vento



Que dos olhos desfez a última chama



E da paixão fez-se o pressentimento



E do momento imóvel fez o drama.




De repente, não mais que de repente



Fez-se de triste o que se fez amante



E de sozinho o que se fez contente.




Fez-se de amigo próximo o distante



Fez-se da vida uma aventura errante



De repente não mais que de repente.



(Vinícius de Moraes)

Bilhete



Se tu me amas, amas-me baixinho



Não o grites de cima dos telhados



Deixa em paz os passarinhos



Deixa em paz a mim!



Se me queres,



enfim,



tem de ser bem devagarinho, Amada,



que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...



(Mário Quintana)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Eu não existo sem você

.





Eu sei e você sabe, já que a vida quiz assim





Que nada nesse mundo levará você de mim





Eu sei e você sabe que a distância não existe





Que todo grande amor





Só é bem grande se for triste





Por isso, meu amor





Não tenha medo de sofrer





Que todos os caminhos





Me encaminham pra você









Assim como o oceano





Só é belo com o luar








Assim como a canção





Só tem razão se se cantar





Assim como uma nuvem





só acontece se chover





Assim como o poeta





Só é grande se sofrer





Assim como viver





sem teu amor não é viver





Não há você sem mim





Eu não existo em você.



(Vinícius de Moraes)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Soneto de Fidelidade




De tudo ao meu amor serei atento




Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto




Que mesmo em face do maior encanto




Dele se encante mais meu pensamento








Quero vivê-lo em cada vão momento




E em seu louvour hei de espalhar meu canto




E rir meu riso e derramar meu pranto




Ao seu pesar ou seu contentamento








E assim, quando mais tarde me procure




Quem sabe a morte, angústia de quem vive




Quem sabe a solidão, fim de quem ama








Eu possa me dizer do amor (que tive):




Que não seja imortal, posto que é chama




Mas que seja infinito enquanto dure.








(Vinícius de Moraes)




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Casinha de palha



Eu moro numa casinha de palha



que fica detrás da muralha



daquela serra acolá



De longe ela nos parece arruinada



mas de perto ela é juncada



de baunilha e manacá



(Godofredo Guedes)

domingo, 25 de setembro de 2011

"... e andar junto!"



"No inverno te proteger



no verão sair pra pescar



no outono te conhecer



primavera poder gostar



e no estio me derreter



pra na chuva dançar e andar junto!"



(Beto Guedes)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

As mãos do meu pai



As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
- como são belas as tuas mãos -
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos

e tenta acendê-los contra o vento?

Ah, como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida...
e que os anjos, um dia, chamarão de alma...

(Mário Quintana)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Os meus versos




Leste os meus versos? Leste? E adivinhaste

O encanto supremo que os ditou?

Acaso, quando os leste, imaginaste

Que era o teu esse olhar que os inspirou?


Adivinhaste? Eu não posso acreditar

Que adivinhasses, vês? E até, sorrindo,

Tu disseste para ti: "Por um olhar

Somente, embora fosse assim tão lindo,

Ficar amando um homem!... Que loucura!"


- Pois foi o teu olhar; a noite escura,

- (Eu só a ti digo, e muito a medo...)


Que inspirou esses versos! Teu olhar

Que eu trago dentro d'alma a soluçar!

Ai não descubras nunca o meu segredo!


(Florbela Espanca)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Li um dia,




Li um dia, não sei onde,

Que em todos os namorados

Uns amam muito, e os outros

Contentam-se em ser amados.


Fico a cismar pensativa

Neste mistério encantado...

Digo para mim: de nós dois

Quem ama e quem é amado?...



Florbela Espanca (Flor Bela de Alma da Conceição Espanca)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ou Isto Ou Aquilo



Ou se tem chuva e não se tem sol,
Ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

(Cecília Meireles)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Traduzir-se



Uma parte de mim




é todo mundo:




outra parte é ninguém:




fundo sem fundo.








Uma parte de mim




é multidão:




outra parte estranheza




e solidão.








Uma parte de mim




pesa, pondera:




outra parte




delira.








Uma parte de mim




almoça e janta:




outra parte




se espanta.








Uma parte de mim




é permanente:




outra parte




se sabe de repente.








Uma parte de mim




é só vertigem:




outra parte,




linguagem.








Traduzir uma parte




na outra parte




- que é uma questão




de vida ou morte -




será arte?








(Ferreira Gullar)