Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Todo filho é pai da morte de seu pai...



Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. 

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. 

É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. 

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. 

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. 
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece
somente no enterro e não se despede um pouco por dia. 

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

— Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

(Maurício Carpinejar)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Me beija de novo pela primeira vez...



Não me fala de paixão. Começa de novo, me descobre. Tenho cócegas nos pés e muitos medos nas mãos. Brinca com meus dedos. Me beija de novo pela primeira vez. Deixa meu corpo te esperar, leva minha paciência ao limite. Testa minha resistência que eu faço questão de perder.
Deixa eu ser bailarina para tua respiração. Acrobata na corda bamba do teu desejo. Escorre pelo ralo as expectativas. Silencia a rotina e deixa as intenções falarem. Deixa a textura da tua pele arrepiar. Me borra o batom, me despe de mim.
Que o calor das tuas mãos aqueça meu corpo e me deixe de alma leve. Me segura pela cintura e não me deixa fugir. Percorre minhas costas devagar. Liga meus pontos e descobre teu desenho. Faz do teu desejo meu suor.
Ri de ti e comigo. Cobre com lençol a falta de intimidade, deixar o sorriso mostrar o segredo mais guardado. Me olha de todos os ângulos e descobre meus sinais. Deixa eu bagunçar teu cabelo com carinho e com desejo. Te virar do avesso pra me encontrar.
Me serve um vinho, brinda o momento. Comemora o que nos tornamos, redescobre o que somos. Batuca para o meu samba, deixa que eu desafine por nós. Fala de nós com a certeza da eternidade e com a naturalidade da leveza.
Me dá uma noite intensa pra me lembrar que há uma história leve. Me lembra que o amor é renascimento e começa um novo capítulo.
(Marina Melz)

sábado, 2 de agosto de 2014

A velhice




Ana conta que seu filho pequeno - com a curiosidade de quem ouviu uma nova palavra mas ainda não entendeu o significado - perguntou-lhe:

_ Mamãe, o que é velhice?

Na fração de segundo antes da resposta, Ana fez uma verdadeira viagem ao passado. Lembrou-se dos momentos de luta, das dificuldades, das decepções...

Sentiu todo o peso da idade e da responsabilidade em seus ombros. Tornou a olhar para o filho que, sorrindo, aguardava uma resposta.

"Olhe para o meu rosto, filho", disse ela. "Isso é velhice."

E imaginou o garoto vendo as rugas e a tristeza em seus olhos. Qual não foi sua surpresa quando, depois de alguns instantes, o menino respondeu:

_ Mamãe!! Como a velhice é bonita!! 

(Autor desconhecido)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A coisa mais injusta sobre a vida é...

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Oração a mim mesmo...





Oração a mim mesmo (Oswaldo Antônio Begiato)

Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais,

Falar menos,

Chorar menos,

Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm e não a inveja que prepotentemente penso que têm,

Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras,

Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar,

Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhar.

Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis,

Aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.

Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amor, sonhar o amalgamar,

Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza.

Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque,
Pelo sentir,
Pelo compreender,
Pelo segredo das coisas mais raras,

Pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde.

Que eu saiba dimensionar o calar, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações de vida.

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.

Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.

Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas.

Que eu saiba perder meus caminhos, mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.

Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo:

_ Que eu não tenha medo de meus medos!

Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência,

Sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos,

Humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez).

Que eu me permita ser mãe, ser pai e, se for preciso, ser órfão.

Permita-me em ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei,

Traduzir o que os mestres ensinaram e compreender alegria com que os simples traduzem suas experiências,

Respeitar incondicionalmente o ser; o ser por si só,

Por mais nada que possa ter além de sua essência,

Auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.

Que eu possa amar e ser amado,

Que eu possa amar mesmo sem ser amado,

Fazer gentilezas quando recebo carinhos,

Fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.

Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.

Amém.

sábado, 22 de outubro de 2011

"Estou contente outra vez."



"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso as vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como "estou contente outra vez."



( Caio fernando Abreu)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A vovozinha

.

.

Foi com imensa tristeza que, numa manhã cinzenta, aquela mãe despedia-se de seu filho, com o coração dilacerado e a alma despedaçada... Lágrimas caiam sem parar e seu filho, na inocência dos seus seis ou sete anos de idade, não conseguia entender os motivos de tamanha tristeza...

A avó, que presenciava a cena, prometia à sua filha que cuidaria do neto com todo o amor e carinho e que ela retornasse à cidade grande, juntamente com o seu marido para que, juntos, pudessem lutar por uma vida melhor.

E assim, aquela vovozinha com seu corpo pequenino e frágil, vivendo naquela humilde casa, no pequeno vilarejo ao sul do Japão, se esforçava ao máximo para que o seu netinho não percebesse a condição miserável em que se encontravam.

Todos os dias, ao levantar-se juntamente com os primeiros raios de sol, preparava com todo esmero e carinho o café da manhã de seu netinho: uma xícara de chá verde.

O chá verde fumegante era servido numa xícara que, apesar de velha e trincada era como se fosse a mais fina das porcelanas e a mesa de madeira, rachada e desgastada pelo tempo, era como se fosse a própria mesa do Imperador, enfeitada com flores que a boa velhinha colhia todos os dias, pela manhã, à beira do riacho.

Era com alegria que acordava seu neto e pedia-lhe que se sentasse à mesa para fazer o seu desjejum:

- Meu querido netinho, o dia hoje está maravilhoso! Sente-se à mesa e sirva-se com este delicioso café da manhã!!

O netinho, percebendo a alegria da avó, sorvia aquele chá com apetite, acreditando, de fato, ser o melhor café da manhã que alguém poderia ter e se contagiava com aquele sorriso que todas as manhãs e todos os dias, a vovó lhe dedicava.

E assim, o dia transcorria... O netinho ia para a escola e a vovozinha buscava no riacho o alimento para o almoço, “pescando” restos de legumes que desciam pelas águas.

Cacarecos de ferro e latas velhas eram amarrados em uma cordinha e a boa velhinha entregava ao seu neto aquele brinquedo, dizendo-lhe que eram carrinhos que ela havia feito para ele. O neto, puxando os carrinhos pela cordinha, brincava animadamente e feliz.

O almoço, na maioria das vezes, se resumia em uma pequena porção de arroz branco e alguns pedaços de legumes em conserva e, como sempre, era servido em grande estilo, com mesa enfeitada e o sorriso da vovó que dizia:

_ Olha só, meu netinho, que refeição farta e deliciosa temos hoje para o almoço!!!

E o neto degustava aquela refeição com gosto e alegria pensando ser, de fato, um banquete Real.

Certo dia, numa festa realizada pela escola, na qual pais e alunos participavam de gincanas e levavam lanche para o pic-nic, o pequeno menino estava triste, pois todos os pais estavam presentes, brincando alegremente com seus filhos e comendo deliciosas guloseimas. Somente seus pais não estavam e o lanche que a avó carinhosamente havia lhe mandado era, como sempre, uma porção de arroz branco e legumes em conserva.

O garoto, admirando aquela cena feliz entre pais e filhos e lamentando a ausência de sua querida mãe e querido pai, retirou-se com os olhos marejados em lágrimas e foi fazer sua refeição em uma sala de aula, onde não havia ninguém.

Um professor, ao passar por acaso pelo corredor, avistou o menino na sala de aula, cabisbaixo, prestes a fazer a sua refeição e, aproximando-se dele, disse:

_ Ei garoto, por que você está sozinho aqui nesta sala e, não lá fora, lanchando junto à sua família?
O menino respondeu-lhe que não morava com seus pais, apenas com sua vovozinha e que, esta, não pudera comparecer e, por isso é que estava tão triste e viera almoçar sozinho na sala.

O professor, comovido, ao ouvir a história do garoto e vendo a comida simples que a avó lhe mandara, de repente teve uma idéia e, aproximando-se dele disse:

_ Hum, sabe... eu não sei por que, mas de repente me deu uma dor de estômago... não tenho apetite... Acho que não vou querer almoçar... Ah, já sei! Vamos trocar nossa comida?

O menino, assustado e surpreso achou que não haveria mal nenhum em aceitar.

E, ao abrir a marmita oferecida pelo professor, seus pequeninos olhos brilharam, maravilhados com aquela comida farta e deliciosa!

_ Professor, é a primeira vez que vejo tanta comida gostosa e tão cheirosa assim!!

E, cheio de apetite, o menino deliciou-se com aquela refeição saborosa que nunca havia provado antes...

O professor, ao presenciar aquela cena, retirou-se devagar da sala, enxugando as lágrimas que já teimavam em embaçar-lhe a visão.

Ao voltar para casa, o netinho, muito entusiasmado, narrou o que acontecera naquele dia à sua querida vovó. A velhinha, ao escutar o menino, percebeu as intenções da atitude daquele professor e, profundamente emocionada agradecia intimamente aquele ato de extrema bondade. Com a voz embargada, dizia ao neto que se sentia feliz por ele ter experimentado coisas tão apetitosas!

Passado algum tempo, novamente a escola promovia mais uma festa e, mais uma vez, o menino sentia-se triste por não ter a companhia dos pais e nem a comida deliciosa que todos traziam e que era saboreada animadamente ao ar livre debaixo das floridas árvores de cerejeira.
Suspirando fundo, abriu a marmita feita carinhosamente pela avó, quando sentiu alguém atrás de si. Era sua professora que, ciente da humilde condição do menino, pousou as mãos na barriga e disse-lhe:

_ Hum, sabe, de repente me deu uma dor no estômago, não tenho apetite... Acho que não vou querer minha comida, vamos trocar nossa marmita?

O garoto, apesar de estranhar aquela atitude que já lhe era familiar, novamente, não achou mal em aceitar.

E, mais uma vez, ao abrir a marmita de sua professora, seus pequeninos olhos se deliciaram com toda aquela fartura e, assim, muito feliz, saboreou com apetite aquela comida.

Chegando em casa, mais uma vez contou à sua querida vovó o fato ocorrido e desconfiado, acrescentou:

_ Vovó, eu não sei, mas achei tão estranho... desta vez foi a professora que sentiu dor no estômago e quis trocar a sua marmita comigo...

A boa velhinha, controlando a emoção, abraçou o seu netinho e, com o seu inconfundível sorriso, disse que seus professores eram pessoas muito especiais.

Somente hoje, após cinquenta anos, aquele menino que tivera o privilégio de ter vivido sua infância ao lado daquela adorável vovó, pôde entender os reais motivos da dor de barriga de seus professores, como também da humilde condição em que viviam, mas que sua avó fazia-o acreditar que não, demonstrando sempre um sorriso no rosto e alegria de viver.

E talvez seja por isto que, aquele menino que aprendeu a sorrir com sua avó, tenha se transformado hoje num dos maiores comediantes do Japão e que, ao relembrar daquele contagiante sorriso, olha para o céu e sente imensa saudade daquela maravilhosa vovozinha que o ensinou a ver somente o lado bom da vida...

* Esta é uma história verídica, de um comediante muito famoso da televisão japonesa. Sua vida foi apresentada em um programa de televisão japonesa e eu nunca consegui narrar esta história até o fim, pois a emoção é muito grande e as lágrimas, inevitáveis... Resolvi, então, colocar por meio da escrita, esta comovente história para que todos possam ter a capacidade de enfrentar os problemas da vida, sempre com um imenso sorriso, como o dessa encantadora vovó!



(By Regina)

.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Passageiros do tempo

.



Eu sou um passageiro do tempo...

Minha morada é temporária e sem eu mesmo saber quando, partirei sem mala, sem bilhete.

Vivo quatro estações por ano, mas a definitiva me espera de volta num lugar onde o sol e a Lua, sem noite, sem dia, louvam juntos.

Sou alguém que tenta entender que os ponteiros que rodam me aproximam de um vôo sem máquina, onde sobrevoarei eternamente.

Sou um peregrino no espaço limitado e, mesmo que queira não posso perder a condução do dia-a-dia.

Sou envolvido, implicado, incrustado.

Estou entre tantos que somam mais de seis bilhões e, no entanto, sou único.

Ninguém é igual a mim, assim como ninguém é igual a você...

Sou um passageiro do tempo, cheio de perguntas à tiracolo e com poucas respostas na mente.

Trago livros, lentes, tradição e avanço filosófico e, assim mesmo, não me explico totalmente.

Sou um dos que evoluíram, tenho idade cronológica, mas possuo a mesma célula de um irmão de milhões de anos.

Minha raça mudou em método e moda, mas o pecado permaneceu camuflado.

Sou um passageiro terreno, culto para uns e completamente tolo para outros.

Estou em busca de uma satisfação maior pelo coração, não pelos olhos; de uma realização maior pela fé, não pela sabedoria humana.

Sou um pingente vivo sujeito à lei da gravidade; mas o que já me consola é que não temo o suplício, pois estou encontrando a libertação:

Deparei-me com ela depois que passei a celebrar diariamente a alegria de viver e louvar o Criador!

Quem viaja com o sol, não percebe a presença da noite que foi devorada pela claridade.

Somos viajantes do pretérito.

É justo que o nosso caminho esteja assinalado por dívidas e aprendizados, que as Leis Divinas nos permitem a tudo regularizar para a nossa própria felicidade!



(do livro "Compromissos iluminativos" - Dr. Bezerra de Menezes / Divaldo P. Franco)


.

sábado, 16 de abril de 2011

... Aprendi com os passarinhos.



" ... Aprendi com os passarinhos.

Ah! Bentinho, tu não sabe o que é a gente estar sozinho na caatinga, ficar debaixo de um pé de imbuzeiro, na fresca, e ouvir um bicho deste abrir o bico no mundo. Só mesmo coisa de Deus. Aquilo vai dentro. Tu nunca ouviste uma juriti pela boca da noite cantando. Dá nó na garganta. Eu posso dizer que aprendi com os passarinhos. Quando o bichinho pára e a gente vem andando de caminho afora, a coisa fica no ouvido, fica guardada dentro da gente. Depois o cantador pega da viola, manda os dedos nas cordas e canta, Bentinho, muita vez eu estava no corte do facheiro para o gado. A sêca está solta no mundo. O sertão pegando fogo. E eu de foice na mão pra o serviço. O céu é uma cor só, azul, azul, que não acaba mais. Eu paro. Fico de um lado olhando as coisas. Tudo parado, os gravetos, tudo sêco. Pois, menino, aí me vem uma vontade de pegar a viola e tocar. Você chega a escutar os gravetos se partindo, estalando, como um bordão espichado. Vem uma vontade danada de cantar. Tudo aquilo pega a gente de jeito."


(José Lins do Rêgo - Livro: Pedra Bonita - Página 136 ou 160)

domingo, 27 de março de 2011

Ser sensível

.
"Nós os sensíveis, temos a luz brilhando dentro de nós.

A nossa sabedoria muitas vezes pode ser confundida com a loucura por pessoas de mentira... ...por aquelas pessoas que vivem presas a um mundo automático. Nós, os sentimentais,os alquimistas, os arrependidos pelos erros, os filhos amados que foram deixados pra trás num deserto... ...os que têm fé inabalável,os sonhadores, os loucos de amor.

Muitas vezes já fomos considerados as ovelhas negras da família... ...mas os nossos sentimentos profundos como o mar... nos transformaram aos poucos em cordeiros mansos que pastam felizes pelos campos verdes... Dentro de nós ardem paixões interiores capazes de derreter qualquer geleira. Nós já morremos incontáveis vezes... ...já renascemos outras tantas mais fortes, mais determinados em encontrar a nossa felicidade.

Nós, os sensíveis somos invencíveis pelas lágrimas e... ...imbatíveis pelo sorriso...

Muitos de nós os sensíveis, carregamos na alma e até no corpos, marcas da nossa paixão pela vida. Do mais fraco ao mais forte,do mais bonito ao mais feio.

Não somos medidos pela nossa formosura ou pela grandeza do nosso corpo... ...mas somos admirados pelo poder do nosso coração, pela força que emanamos de dentro de nosso olhar.

E as pessoas de mentira ficam sem entender como nós os sensíveis conseguimos ter tanto poder! Nós os sensíveis estamos aqui para fazer a diferença.

Ninguém nos conhece pela superfície... ...mas pela profundidade de nossos bons pensamentos.

Não somos santos... ...mas somos anjos. Não somos perfeitos... ...mas é na nossa imperfeição que mostramos nossas maiores virtudes. Não é pela casca que queremos ser conhecidos.

Queremos um relacionamento íntimo com tudo e com todos que nos cercam.

Podemos errar, fracassar em quase tudo mas jamais fracassaremos como seres humanos. Somos incompreendidos, porque muitas vezes não sabemos expressar quem somos de verdade.

Ainda que o nosso corpo envelheça e fique doente... ...nada pode tocar o coração de um sensível senão a mão do Supremo Criador. Nós os sensíveis, mesmo de longe nos juntamos em espírito num coral para cantar uma canção que curará toda pessoa de mentira.

Por alguns instantes o mundo parará para ouvir o nosso canto e se apaziguará por alguns poucos momentos...

E por alguns momentos elas também vão ser sensíveis como nós... ...quando perceberem que no rosto do outro está o espelho de sua própria face. Nós os sensíveis temos o dom de sentir o que os outros sentem... ...de traduzir seus pensamentos... ...porque nosso coração capta o que os outros corações transmitem... ...mas nós somos uma brasa viva no meio da neve... ...ou um oásis no meio do deserto. Estamos aqui para mostrar aos outros que a alma existe... ...que a matéria passará.

Mas que temos vida para todo o sempre. Somos dono da sabedoria universal. Acreditamos num Deus comum a todos seres humanos. Num Deus que habita todas as religiões. Num abraço do sensível... ...está a graça do Universo. Nós os sensíveis somos os... ...Mensageiros da eternidade..."

(André Aquino)

.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Livro Novo!

.

Encerra-se mais um ano em sua vida...
Quando este ano começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Podia fazer dele o que quisesse...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia ter um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração.

Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído...

Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe
será lido, com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto...

Antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro
e folheie com cuidado...
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...

Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou
seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não...
Não tentes arrancá-las.
Seria inútil...
Já estão escritas.

Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que

será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para
preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.

Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga
apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!!

E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro
livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever
o que desejar...

FELIZ LIVRO NOVO !


(Recebido via e-mail - autoria desconhecida)

À todos, desejo um ano de plenas realizações e que o novo livro seja escrito especialmente com muita poesia... Feliz Ano Novo!!

.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Por que não é sempre Natal?

.

Por que não é sempre Natal?

(* Autor Desconhecido)


Por que de repente é tão importante que

um só dia seja tão perfeito?

Por que é tão urgente que

os sentimentos sejam plenos, o coração transbordante

a bondade explícita, a alegria irretocável,

ao menos uma vez ao ano?

Por que desejamos o olhar mais puro,

as vozes mais lindas, a músicas mais perfeitas,

as luzes mais brilhantes,

ao menos uma vez ao ano?

Por que deixamos essa criança nascer

só uma vez ao ano

e nunca deixamos ela crescer

e ser um homem doce, milagroso e terno,

repleto de Luz, de Paz de Perfeita Harmonia,

em todos os dias do ano dentro de nós?

Por que essa criança, que renasce uma vez ao ano,

não chega a ensaiar os seus passinhos

dentro de nosso coração?

Por que não podemos vê-la, sempre,

derramar seu cristalino sorriso

limpando a nossa alma todos os dias do ano?

Por que não é sempre Natal?

(Recebido via e-mail)

Que o espírito natalino esteja presente todos os dias do ano e que consigamos, cada vez mais, sermos seres humanos melhores...

Feliz Natal!
.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Informação é poder!

.

Com as constantes mudanças ocorridas na sociedade e, conseqüentemente, o surgimento de novas tecnologias, tornou-se imprescindível, nos dias atuais, a necessidade de se buscar, cada vez mais, a informação. Estar atualizado sobre o que ocorre no contexto geral do mundo, constituiu-se indispensável.

O aparecimento de novas tecnologias modificou as relações na sociedade, possibilitando um amplo acesso à informação, permitindo ao cidadão estar a par de diversos assuntos como economia, política, cultura etc.

Este acesso à informação e, conseqüentemente, ao conhecimento, possibilitou ao cidadão a aquisição de ferramentas e instrumentos necessários para sua participação plena e ativa na sociedade, sobretudo, em áreas que afetam diretamente a sua vida, permitindo o esclarecimento e consciência de seus direitos, bem como a exigência de cumprimento dos seus deveres.

Com isto, o indivíduo abandonou o papel passivo que ocupava na sociedade e transformou-se num ser ativo e atuante, capaz, inclusive, de produzir conhecimento.

Sendo assim, há que se reconhecer que, num mundo extremamente competitivo e, muitas vezes, até cruel, estar informado é adentrar num mar de possibilidades que levará o indivíduo a evoluir e contribuir para uma sociedade mais consciente, justa e feliz.

Estar informado é ter o poder de transformar o mundo!
(By Regina)
.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fragmentos...


"_ Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Então vai!"


Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa!


(O pequeno príncipe)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O trem da vida...

.



“Há algum tempo, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma literatura extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível… mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles… só que, infelizmente, jamais, poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas… porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e provavelmente, precisaremos entender porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que não entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em que parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades… acredito que sim. Mas separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido. Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que tinham quando embarcaram… e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa…

Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.”
.
(Desconheço autoria)
.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ama

.
.
Ama a simplicidade;
Ama a ociosidade criativa;
Ama a vida, a beleza, a poesia;
Ama as coisas que dão alegria;
Ama a natureza e a reverência pela vida;
Ama os mistérios;
Ama a educação como fonte de esperança e transformação;
Ama todas as pessoas, mas com um carinho muito especial pelos alunos e professores;
Ama Deus, mas tem sérios problemas com o que as pessoas pensam e / ou dizem a Seu respeito;
Ama as crianças e filósofos - ambos têm algo em comum: fazer perguntas;
Ama, ama, ama, ama...
.
(Rubem Alves)
.
(Rubem Alves nasceu em 15/09/1933 em Boa Esperança, Minas Gerais. Mestre em Teologia, Doutor em Filosofia, Psicanalista e professor emérito da Unicamp. Tem três filhos e cinco netas. Poeta, cronista do cotidiano, contador de histórias, um dos mais respeitados intelectuais do Brasil.)
.

domingo, 27 de junho de 2010

Com todos e com ninguém...

.
.
Com todos e com ninguém
.
Não encontrar o grande amor de sua vida é como sentir saudade de alguém que você não conhece.
.
Sinto-me assim, muitas vezes. É como um vazio, sinto falta de alguém que está por vir e que nem mesmo sei se existe. Essa espécie de dor às vezes aumenta, às vezes diminui, mas está sempre presente.
.
É triste não nos contentarmos com as várias formas de amor que nos rodeia. Não importa quantas pessoas conhecemos, quantos amigos temos, se temos uma família maravilhosa ao nosso lado e, no meu caso, os leitores... queremos um único amor em especial. Isso parece-me pequeno demais. Mas é assim que a maioria de nós é. Somos imperfeitos.
.
Olha que interessante: nessas minhas idas e vindas à tv, acabei fazendo amizade com algumas pessoas conhecidas. Quando saio com eles, todos as reconhecem, vêm cumprimentá-las, bajulam, tiram fotos, ficam olhando e comentando. Mas depois de um tempo convivendo com elas, percebi que sentem o mesmo vazio que nós, porque sabem que, no fundo, muitos se aproximam para aparecer ou por interesse.
.
No meu caso, muitos leitores me escrevem com distância, achando que tenho um milhão de contatos e amigos e que não terei tempo para eles, quando na verdade, se um deles me convidasse para tomar café na padaria, eu iria. E hoje, tenho certeza que muitos artistas e modelos que você vê por aí fariam o mesmo se as pessoas se aproximassem. Faça um teste você também (mas compre uma Ferrari antes - brincadeira, gente!) A solidão não escolhe as pessoas como um vírus, pois ela nasce dentro de cada um. Não importa você ser reconhecido pelo mundo inteiro. Importa, sim, sentir-se amado. Mas infelizmente, como já disse, somos tão egoístas e bobos que todo o amor do mundo não nos basta. Queremos mais. Queremos alguém em especial para amar (e que nos ame também). A mulher ou homem de nossa vida...
.
(DAOLIO, Evandro Augusto. Ria da minha vida antes que eu volte a rir da sua. São Paulo: Arx, 2002)
.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sexa

.






SEXA




- Pai...


- Hmmmm?


- Como é o feminino de sexo?


- O quê?


- O feminino de sexo.


- Não tem.


- Sexo não tem feminino?


- Não.


- Só tem sexo masculino?


- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.


- E como é o feminino de sexo?


- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.


- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino...


- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.


- Não devia ser "a sexa"?


- Não.


- Por que não?


- Porque não! Desculpe, porque não. "Sexo" é sempre masculino.


- O sexo da mulher é masculino?


- Sexo mesmo. Igual ao do homem.


- O sexo da mulher é igual ao do homem?


- É. Quer dizer... Olha aqui: tem sexo masculino e o sexo feminino, certo?


- Certo.


- São duas coisas diferentes.


- Então como é o feminino de sexo?


- É igual ao masculino.


- Mas não são diferentes?


- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.


- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.


- A palavra é masculina.


- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculino seria "o pal..."


- Chega! Vai brincar, vai...


O garoto sai e a mãe entra.


O pai comenta:


- Temos que ficar de olho nesse guri...


- Por quê?


- Ele só pensa em gramática...




(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Objetiva. Rio de Janeiro, 2001)
.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sabedoria... poema de uma história de amor

..
Era uma vez uma ilha onde moravam os sentimentos: a ALEGRIA, a TRISTEZA, a SABEDORIA e todos os sentimentos, por fim o AMOR.


Mas um dia, foi avisado aos namorados que a ilha iria afundar. Todos os sentimentos se apressaram para sair da ilha, pegaram os seus barcos e partiram.


Mas o AMOR ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha , antes que ela afundasse. Quando por fim, estava se afogando, o AMOR começou a pedir ajuda.


Nesse momento, estava passando a RIQUEZA em lindo barco e o AMOR disse: - RIQUEZA, leva-me com você? - Não posso, há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para você.


Então, pediu ajuda à VAIDADE que também vinha passando: - VAIDADE por favor me ajude! - Não posso ajudar, AMOR, você está todo molhado e poderia estragar todo meu barco.


Veio passando a TRISTEZA e o AMOR pediu ajuda: - TRISTEZA, deixe-me ir com você? - Ah!... AMOR, estou tão triste que prefiro ir sozinha!


Também passou a ALEGRIA, mas ela estava tão alegre que nem viu o AMOR chamar.


- Venha AMOR, eu levo você! - Era um velhinho. O AMOR ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o seu nome.


Chegando do outro lado do morro, ele perguntou à SABEDORIA: - SABEDORIA, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui? - Era o TEMPO. - O TEMPO? Mas por que o TEMPO me trouxe? - Porque somente o TEMPO é capaz de entender um grande amor...

.

(Autoria desconhecida)

.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Promessas matrimoniais

.

.
"Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:

Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?

Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora e, sim, respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?

Promete saber ser amiga (o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?

Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?

Promete se deixar conhecer? Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?

Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?

Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros."

(Desconheço autoria, quem souber, favor enviar!)
.