sábado, 16 de abril de 2011

... Aprendi com os passarinhos.



" ... Aprendi com os passarinhos.

Ah! Bentinho, tu não sabe o que é a gente estar sozinho na caatinga, ficar debaixo de um pé de imbuzeiro, na fresca, e ouvir um bicho deste abrir o bico no mundo. Só mesmo coisa de Deus. Aquilo vai dentro. Tu nunca ouviste uma juriti pela boca da noite cantando. Dá nó na garganta. Eu posso dizer que aprendi com os passarinhos. Quando o bichinho pára e a gente vem andando de caminho afora, a coisa fica no ouvido, fica guardada dentro da gente. Depois o cantador pega da viola, manda os dedos nas cordas e canta, Bentinho, muita vez eu estava no corte do facheiro para o gado. A sêca está solta no mundo. O sertão pegando fogo. E eu de foice na mão pra o serviço. O céu é uma cor só, azul, azul, que não acaba mais. Eu paro. Fico de um lado olhando as coisas. Tudo parado, os gravetos, tudo sêco. Pois, menino, aí me vem uma vontade de pegar a viola e tocar. Você chega a escutar os gravetos se partindo, estalando, como um bordão espichado. Vem uma vontade danada de cantar. Tudo aquilo pega a gente de jeito."


(José Lins do Rêgo - Livro: Pedra Bonita - Página 136 ou 160)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

À Lua Nova





Caititi, Caititi
Iamara notiá
Notiara iamara
Epeju... (fulano)
Emu manuara
Ce recé (fulana)
Cuçukui xá ikó
Ixé anhú e pia porá


Lua Nova, ó Lua Nova!
Assoprai em fulano lembrança de mim;
eis-me aqui em vossa presença;
fazei com que eu tão somente ocupe o seu coração.



(Anônimo)



"O elemento indígena deixou uma valiosa contribuição folclórica, havendo também colaboração do elemento europeu.

As lendas, provérbios, contos, e tudo o que resume o folclore foram transmitidas na linguagem mais simples possível, desprovida de qualquer correção. Todavia, não deixa de ser interessante pela espontaneidade e riqueza de imaginação que
representa."
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Retrato Campestre

Pintura reprodução de Van Gogh - Vista da planície de Crau - A colheita



Havia na planície um passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.
E era só. Nenhum deles tinha nada
com o homem deitado no caminho.

O vento veio e pôs em desalinho
a cabeleira da mulher sentada
e despertou o homem lá na estrada
e fez canto nascer no passarinho.

O homem levantou-se e veio, olhando
a cabeleira da mulher voando
na calma da planície desolada.

Mas logo regressou ao seu caminho
deixando atrás um quieto passarinho,
um pé de milho e uma mulher sentada.

(Carlos pena Filho)

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Instantes...

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Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.

Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem termômetro, uma bolsa de água quente,um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, já viram, tenho oitenta e cinco anos e sei que estou morrendo.

(Jorge Luis Borges)

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bons amigos


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Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.

Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.


Amigo a gente sente! Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.


Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende. Amigo a gente entende!


Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.


Porque amigo sofre e chora. Amigo não tem hora pra consolar!


Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade. . Porque amigo é a direção. Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros. Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.


Ter amigos é a melhor cumplicidade!


Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos,

Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!


( Machado de Assis)

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sábado, 2 de abril de 2011

Despedida

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Ao perder-te, tu e eu perdemos: eu porque tu eras o que eu mais amava, e tu, porque eu era o que te amava mais.

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Mas de nós dois tu perdes mais que eu porque posso amar a outra como amava a ti, mas a ti nunca amarão como eu te amava.

(Ernesto Cardenal)

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Ausência

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Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.

Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

(Moraes, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA. São Paulo. Companhia das Letras, 1992.)

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domingo, 27 de março de 2011

Ser sensível

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"Nós os sensíveis, temos a luz brilhando dentro de nós.

A nossa sabedoria muitas vezes pode ser confundida com a loucura por pessoas de mentira... ...por aquelas pessoas que vivem presas a um mundo automático. Nós, os sentimentais,os alquimistas, os arrependidos pelos erros, os filhos amados que foram deixados pra trás num deserto... ...os que têm fé inabalável,os sonhadores, os loucos de amor.

Muitas vezes já fomos considerados as ovelhas negras da família... ...mas os nossos sentimentos profundos como o mar... nos transformaram aos poucos em cordeiros mansos que pastam felizes pelos campos verdes... Dentro de nós ardem paixões interiores capazes de derreter qualquer geleira. Nós já morremos incontáveis vezes... ...já renascemos outras tantas mais fortes, mais determinados em encontrar a nossa felicidade.

Nós, os sensíveis somos invencíveis pelas lágrimas e... ...imbatíveis pelo sorriso...

Muitos de nós os sensíveis, carregamos na alma e até no corpos, marcas da nossa paixão pela vida. Do mais fraco ao mais forte,do mais bonito ao mais feio.

Não somos medidos pela nossa formosura ou pela grandeza do nosso corpo... ...mas somos admirados pelo poder do nosso coração, pela força que emanamos de dentro de nosso olhar.

E as pessoas de mentira ficam sem entender como nós os sensíveis conseguimos ter tanto poder! Nós os sensíveis estamos aqui para fazer a diferença.

Ninguém nos conhece pela superfície... ...mas pela profundidade de nossos bons pensamentos.

Não somos santos... ...mas somos anjos. Não somos perfeitos... ...mas é na nossa imperfeição que mostramos nossas maiores virtudes. Não é pela casca que queremos ser conhecidos.

Queremos um relacionamento íntimo com tudo e com todos que nos cercam.

Podemos errar, fracassar em quase tudo mas jamais fracassaremos como seres humanos. Somos incompreendidos, porque muitas vezes não sabemos expressar quem somos de verdade.

Ainda que o nosso corpo envelheça e fique doente... ...nada pode tocar o coração de um sensível senão a mão do Supremo Criador. Nós os sensíveis, mesmo de longe nos juntamos em espírito num coral para cantar uma canção que curará toda pessoa de mentira.

Por alguns instantes o mundo parará para ouvir o nosso canto e se apaziguará por alguns poucos momentos...

E por alguns momentos elas também vão ser sensíveis como nós... ...quando perceberem que no rosto do outro está o espelho de sua própria face. Nós os sensíveis temos o dom de sentir o que os outros sentem... ...de traduzir seus pensamentos... ...porque nosso coração capta o que os outros corações transmitem... ...mas nós somos uma brasa viva no meio da neve... ...ou um oásis no meio do deserto. Estamos aqui para mostrar aos outros que a alma existe... ...que a matéria passará.

Mas que temos vida para todo o sempre. Somos dono da sabedoria universal. Acreditamos num Deus comum a todos seres humanos. Num Deus que habita todas as religiões. Num abraço do sensível... ...está a graça do Universo. Nós os sensíveis somos os... ...Mensageiros da eternidade..."

(André Aquino)

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quinta-feira, 24 de março de 2011

Falta de senso...

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Alguns comentários que considero muito infelizes me revoltam!

Dizer, por exemplo, que a tragédia que acometeu o Japão foi "castigo" da natureza, pelo fato dos japoneses matarem golfinhos e baleias é, no mínimo, um comentário ignorante e de uma falta de humanidade tremenda...

Se assim fosse, o Brasil já não existiria no mapa há tempos, visto que aqui, pode-se não matar baleias, mas, mata-se gente... e o pior, muitas vezes à troco de nada! Aqui, mata-se animais para fazer sapatos, desmata-se matas virgens, a corrupção anda à solta, o povo se diz solidário mas "desvia" as doações que são feitas às vítimas das enchentes... Então, qual o nosso castigo? Porque não temos terremotos e nem tsunamis?

Para quem possui um mínimo de conhecimento geográfico responderá que é porque o Brasil não está localizado acima de placas tectônicas que podem se deslocar a qualquer momento, assim como ocorre no Japão, que está situado justamente acima destas placas que se movem de tempos em tempos e que, portanto, corre o risco de sofrer tragédias deste porte, como ocorridas recentemente...

Então, o único castigo do Japão tenha sido, talvez, o de estar situado justamente num local de risco, mas, não tem nada a ver com a matança das baleias... mesmo porquê, cada país busca os recursos que têm... Lá, não se mata boi porque não há espaço para a criação de gado, logo, vão buscar na água a fonte de seu alimento e sustento; os recursos minerais e matéria-prima são escassos, logo, vão buscar fonte de energia nas usinas nucleares... Questões óbvias e objetivas...

Comentários assim, vindo de brasileiros, são de uma maldade e de falta de compaixão que me surpreendem, visto que se dizem ser um povo generoso, caloroso, solidário...

Numa situação tão trágica como esta em que o Japão viveu e vive é um comentário que entristece e revolta...

Eu, como brasileira que sou, me sinto envergonhada...

(By Regina)

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Eu acredito na bondade...

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Num mundo tão louco e cheio de pessoas mal intencionadas...
Eu digo que ainda acredito que possam existir pessoas boas, confiáveis, puras e verdadeiras... Espero que esta pessoa seja você, embora as evidências digam que não...


(Regina - momento de reflexão)

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