sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Me transformo em luar...



Me transformo em luar (Jorge Vercillo)

Investir o tempo em você
É um lucro absurdo de vida e prazer
Cultivar o brilho em seu olhar
É a coisa mais bela que eu posso querer

Me transformo em luar
Pra saber dos seus pensamentos na beira do mar
Eu não penso em mais ninguém
O seu beijo fica comigo, me faz seu refém
Nossas vidas vão seguir, eu sei

Nos sinais que a sua pele traz
Tem nome de estrelas e constelações
Sei de cor as marcas de um verão
Da saboneteira ao vale dos seios

Me transformo em luar
Pra saber dos seus pensamentos na beira do mar
Eu não penso em mais ninguém
O teu beijo fica comigo e me faz seu refém
Nossas vidas vão seguir, eu sei

Já desisti de pensar
Mas não consigo esquecer
Eu sem você já não há
É o que o amor quer dizer



Ouça aqui!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Eu e você...



Eu e você (Roupa Nova e José Augusto)

Amar você é bom demais
Que mais posso querer
Se tudo você tem melhor
Pior é te perder
Me perdi na luz do teu olhar
Me encontrei quando encontrei você
Depois do amor
Quando adormecer
Me leva nos teus sonhos
Quando acordar
Quero estar com você
E todo nosso amor recomeçar
E tudo é emoção, prazer

É cor, eu e você...


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Despedida




E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir;  foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval – uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito – depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado – sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras – com flores e cantos. O inverno – te lembras – nos maltratou; não havia flores, não havia mar e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver;  entretanto, é possível  que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas duradouras e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

(Rubem Braga)


(Extraído do livro “A traição das Elegantes”, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83)

domingo, 4 de agosto de 2013

Um minuto




Desculpe te acordar tão cedo
Mas não dava pra esperar, precisava te ouvir
Saber que está bem, que tudo está bem.

Acordei com você em meu pensamento
E uma música que tocava no rádio 
Me fez perceber que está além do pensamento,
Vive em minha alma, me dando força.

Vivemos tantos dias que não passam de meras mentiras
Dias em que nada é o que realmente esperamos...

Mas me diga você, quantos dias esperou
Para que tudo isso seja deixado para trás

Esperei por mil vidas e mais alguns segundos
Somente para me sentir vivo
E eu percebi agora que o que me faz viver
Não é o ouro, nem as meras ilusões de uma vida
E, sim, o seu sorriso... 

Não poderia deixar
Mais um dia passar sem que você soubesse...

(Ivan Rodrigues)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O desaparecido





Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.



Rubem Braga

(Do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 112)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Amor




"Você tem toda razão: é tudo vasto.
Essencialmente vasto.
Generosamente vasto...
Assustadoramente também
Inclusive o próprio amor
Que não tem limites
Que tudo pode curar
Que tudo pode abraçar
Que tudo pode transformar..."

(Ana Jácomo)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Amor em Paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Vinícius de Moraes

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Escadaria para o paraíso





Stairway to heaven (Led Zeppelin)

There’s a lady who’s sure all that glitters is gold
And she’s buying the stairway to heaven
And when she gets there she knows if the stars are all close
With a word she can get what she came for

Oh, and she’s buying the stairway to heaven

There’s a sign on the wall but she wants to be sure
‘Cause you know sometimes words have two meanings
In the tree by the brook there’s a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiving

Oh, it makes me wonder
Oh, it makes me wonder

There’s a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking

Oh, it makes me wonder
Oh, it makes me wonder

And it’s whispered that soon, if we all called the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forest will echo with laughter

Woe, oh
If there’s a bustle in your hedgerow
Don’t be alarmed now
It’s just a spring clean for the May Queen

Yes there are two paths you can go by
But in the long run
There’s still time to change the road you’re on

And it makes me wonder
Oh

Your head is humming and it won’t go, in case you don’t know
The piper’s calling you to join him
Dear lady can you hear the wind blow and did you know
Your stairway lies on the whispering wind

And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show

How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all, yeah
To be a rock and not to roll

Oh
And she’s buying the stairway to heaven


Escadaria para o paraíso

Há uma senhora que tem certeza que tudo o que brilha é ouro
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso
Quando ela chega lá descobre que se as lojas estiverem todas fechadas
Com apenas uma palavra ela consegue o que veio buscar
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso

Há um sinal na parede, mas ela quer ter certeza
Porque você sabe que às vezes as palavras têm duplo sentido
Em uma árvore a beira do riacho há um rouxinol que canta
Às vezes todos os nossos pensamentos estão errados.

Isso me faz pensar...

Há algo que sinto quando olho para o oeste
E meu espírito chora ao partir
Em meus pensamentos tenho visto anéis de fumaça atravessando as árvores
E as vozes daqueles que ficam parados olhando
E um sussurro avisa que em breve se todos entoarmos a canção

Então o flautista nos levará à razão
E um novo dia irá nascer para aqueles que suportarem
E a floresta irá ecoar com gargalhadas

Se houver um alvoroço em sua horta, não fique assustada
É apenas limpeza de primaveril da rainha de maio
Sim, há dois caminhos que você pode seguir, mas na longa estrada
Há sempre tempo de mudar o caminho que você segue

Sua cabeça lateja e não vai parar
Caso você não saiba, o flautista te chama para você se juntar a ele
Querida senhora, pode ouvir o vento soprar?

E você sabia que sua escadaria repousa no vento sussurrante
E enquanto corremos soltos pela estrada
Com nossas sombras mais altas que nossas almas, lá caminha uma senhora que todos conhecemos

Que brilha luz branca e quer mostrar
Como tudo ainda vira ouro e se você ouvir com atenção
A canção irá finalmente chegar a você
Quando todos são um e um é o todo
Ser uma rocha e não rolar

E ela está comprando uma escadaria para o paraíso...

(Ouça aqui!)

domingo, 28 de abril de 2013

Chance




Quando seu silêncio emudecer no meu,
E os dois acasalarem numa plenitude imoral,
É chegado o sinal de que nosso amor é bem possível.
Amar é tornar a quietude indivisível...

(Flora Figueiredo)

domingo, 14 de abril de 2013

Tem que se plantar flores...

 Tem que se plantar flores
Nos espaços vazios da alma
Regar de crepúsculo os olhos úmidos.
Beijar as faces com os dedos puros.
Tem que se chorar
Para saber rir.
... Mentir ao mundo para dar a alguém
Uma só, e única verdade.
Tem que cortar o peito a morte
Com o sorriso puro das crianças
Duvidar de tudo e crer no impossível
Sonhar acordado sem procurar o sonho.
Então, sim todos nós
Sombras sem calor, estátuas frias,
Duras e angulosas
Chegaremos por fim a compreender
Que se o tempo gasta o existir
Mas vale sentir que realizar.

Alcy Cheuiche