sábado, 11 de setembro de 2010

O filho eterno



Uma das discussões maiores que envolvem o livro “O filho eterno”, de Cristóvão Tezza é quanto a sua classificação literária que se confunde em “romance” ou “autobiografia”.

Apesar de narrar sua própria história, o autor redige o texto em terceira pessoa, como se fosse assim, personagem de si próprio, narrado por outra pessoa.

Com uma franqueza, que às vezes, soa até muito cruel, Tezza revela com grande profundidade todas as suas angústias ao descobrir que seu filho é portador da síndrome de down.

Intercalando passagens de sua própria vida, o autor se mistura na tentativa de se encontrar, numa narrativa existencialista e reflexiva.

O livro é desprovido de sentimentalismo, no qual os críticos consideram ser piegas e, justamente por este motivo, conferem o grande mérito deste livro...

Uma questão interessante é que “O filho eterno” retrata o problema da síndrome de down pela visão masculina (aqui, no caso, do pai) que, muitas vezes é tida como sendo mais fria, porém, não menos desprovida de sentimento. Seria apenas um modo diferente de demonstrar o sentimento, ao contrário das mulheres, que geralmente são mais emocionais e possuem mais facilidade em demonstrá-lo...

O livro se torna especialmente emocionante da metade para o fim, quando o autor se rende e descobre que não pode mais viver sem a presença do filho que se torna, inclusive, seu grande companheiro na torcida fanática ao Clube Atlético Paranaense de futebol.

Algumas passagens do livro:

(...) “Há um início de preleção, quase religiosa, que ele, entontecido, não consegue ainda sintonizar senão em fragmentos da voz do pediatra:

- ... algumas características... sinais importantes... vamos descrever. Observem os olhos, que têm a prega nos cantos, e a pálpebra oblíqua... o dedo mindinho das mãos, arqueado para dentro... achatamento da parte posterior do crânio... a hipotonia muscular... a baixa implantação da orelha e... (...)

(...) Assim, em um átimo de segundo, em meio à maior vertigem de sua existência, a rigor a única que ele não teve tempo (e durante a vida inteira não terá) de domesticar numa representação literária, apreendeu a intensidade da expressão “para sempre” – a idéia de que algumas coisas são de fato irremediáveis, e o sentimento absoluto, mas óbvio, de que o tempo não tem retorno, algo que ele sempre se recusava a aceitar. Tudo pode ser recomeçado, mas agora não; tudo pode ser refeito, mas isso não; tudo pode voltar ao nada e se refazer, mas agora tudo é de uma solidez granítica e intransponível; o último limite, o da inocência, estava ultrapassado; (...)

(...) No momento em que enfim se volta para a cama, não há mais ninguém no quarto - só ele, a mulher, a criança no colo dela. Ele não consegue olhar para o filho. Sim - a alma ainda está cabeceando atrás de uma solução, já que não pode voltar cinco minutos no tempo. Mas ninguém está condenado a ser o que é, ele descobre, como quem vê a pedra filosofal: eu não preciso deste filho, ele chegou a pensar, e o pensamento como que foi deixando-o novamente em pé, ainda que ele avançasse passo a passo trôpego para a sombra. Eu também não preciso desta mulher, ele quase acrescenta, num diálogo mental sem interlocutor: como sempre, está sozinho. (...)

[Cristóvão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952, mas mudou-se para Curitiba ainda criança. É considerado um dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea. Além de escritor, com mais de uma dezena de livros publicados, leciona na UFPR.

É autor, entre outros, de “Trapo”, “O Fantasma da infância”, “Aventuras provisórias”, “Breve espaço entre cor e sombra” (Prêmio Machado de Assis/Biblioteca Nacional de melhor romance de 1998) e “O fotógrafo” (Prêmios da Academia Brasileira de Letras e Bravo! De melhor romance do ano). “O filho eterno” foi escolhido o melhor livro do ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura 2008. Conquistou ainda o Portugal Telecom, o Jabuti de melhor romance do ano, o prêmio da Associação de Críticos de Arte de São Paulo (melhor obra de ficção) e o Bravo! (livro do ano). A trajetória surpreendeu o próprio autor.]



Para quem quiser conferir:

Livro: O filho eterno
Autor: Cristóvão Tezza
Editora: Record – 222 páginas
Site: cristovaotezza.com.br

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Em algum lugar no tempo



Em algum lugar no tempo (Biquini Cavadão)
Composição: Álvaro, Bruno, Miguel, Coelho, Góes
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Não guarde mágoa de mim
Também não me esqueça
Talvez não saiba amar
Nem mesmo te mereça
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Como as ondas do mar
Sempre vão e vem
Nossos beijos de adeus
Na estação de trem
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Um gosto de lágrima no rosto
Palavras murmuradas
Que eu quase nem ouço
Que eu quase nem ouço...
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Em algum lugar no tempo
Nós ainda estamos juntos
Em algum lugar
Ainda estamos juntos
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Em algum lugar no tempo
Nós ainda estamos juntos
Prá sempre, prá sempre
Ficaremos juntos...
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Não tenha medo de mim
Não importa o que aconteça
Não me tire da sua vida
Nem desapareça
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Como as ondas do mar
Sempre vão e vem
Nossos beijos de adeus
Na estação de trem
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Um gosto de lágrima no rosto
Palavras murmuradas
Que eu quase nem ouço
Que eu quase nem ouço...
.
Em algum lugar no tempo
Nós ainda estamos juntos
Em algum lugar
Ainda estamos juntos
.

Em algum lugar no tempo
Nós ainda estamos juntos
Prá sempre, prá sempre
Ficaremos juntos
Juntos...
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Em algum lugar no tempo
Nós ainda estamos juntos
Prá sempre, prá sempre
Ficaremos juntos
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Não guarde mágoa de mim!

Ouça aqui!
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Poesia em flor!


Delírios na noite
Suspiros na madrugada
Sob a luz do luar
As canções que fazem sonhar...

Sob o signo da paixão
Todas as confissões...
Envolventes, alucinantes
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As mais secretas descobertas,
Profundas, profanas...
A entrega mais emocionante
Desejos incessantes
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Ao final,
A constatação,
Poesia em flor!
Amanheceu dentro de mim
O amor!

(By Regina)
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O que faz sentido?


E contemplava o céu em meio a um vendaval de pensamentos
O próprio vento se misturando com seus tormentos...
Será que as tristezas um dia cessam?
Os corações são tão diferentes
Às vezes, pode-se ouvir canções,
E não conseguir escutá-las;
Às vezes, pode-se ver estrelas,
E não conseguir enxergá-las...
Gostava de poder sentir a brisa acariciando seus cabelos,
Mergulhar fundo na mais gigante onda e abandonar ali todos os medos,
Confessar todos os segredos...
Gostava de voltar a sonhar,
Ser criança, ser flor, ser libélula, ser amor...
Ser verdadeiramente feliz, voltar a sorrir...


(By Regina)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Madrigal

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Madrigal

Tu já tinhas um nome,
e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.

Nos meus versos chamar-te-ei amor...

(Eugênio de Andrade)
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(Eugênio de Andrade - pseudônimo de José Fontinhas Rato, poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Falecido em 13 de Junho de 2005, no Porto.)

sábado, 21 de agosto de 2010

Olhares e encontros...

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E... quando meu olhar cruzar com o teu...

... eu saberei!!!

Que finalmente te encontrei!

(By Regina)
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domingo, 15 de agosto de 2010

Canções de Rei

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Canções de Rei (Max Viana)
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Se eu fosse algum rei,
Fosse o teu Senhor
Eu proclamava a tua boca
Um reinado meu
O teu corpo nu, meu santuário
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Se eu fosse algum rei,
Teu imperador
Eu ordenava teu coração a gostar do meu
Cada dia teu, meu calendário...
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Inventava canções de rei,
Conquistava o teu amor,
Desobedeceria a lei,
Revelava quem eu sou
Te mostrava que só eu sei,
Onde tudo começou
Inventando canções de rei
Pra enfeitar o nosso amor...

Ouça aqui!
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sábado, 7 de agosto de 2010

Amor e poesia

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Amor e poesia (versão feminina)

E depois do amor,
Acordou sorrindo em meio a seus afagos,
E, num doce abraço
Pôde sentir toda a beleza
Daquele corpo nu
Intenso e viril
Por inteiro sobre o seu...

Recordações lhe vieram à mente...
Viu estrelas
Onde não havia céu...
Sentiu-se mulher,
Em toda sua plenitude,
Despudorada,
Não apenas desejada,
Mas principalmente amada!

Extasiou-se com a mais bela poesia
penetrando em suas entranhas,
Em sua alma, em seu corpo e em todo o seu ser...

E, na urgência louca de amar,
Num uníssono perfeito,
Regado novamente de amor e poesia
Fizeram um amor perfeito outra vez
Até o alvorecer...
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(By Regina)
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O trem da vida...

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“Há algum tempo, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma literatura extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível… mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles… só que, infelizmente, jamais, poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas… porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e provavelmente, precisaremos entender porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que não entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em que parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades… acredito que sim. Mas separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido. Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que tinham quando embarcaram… e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa…

Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.”
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(Desconheço autoria)
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Amor verdadeiro...

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O amor é uma doação e não uma exigência.
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Quem realmente ama, dá tudo e nada pede.
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Quem pede e exige da pessoa que diz amar demonstra que verdadeiramente não ama: ao contrário, revela o egoísmo em alto grau.
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Amar não é receber, é dar.
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Não é pedir, mas proporcionar felicidade desinteressadamente.
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O melhor exemplo do amor verdadeiro é o das mães, que sabem amar com renúncia.
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(Pastorino, C. Torres. MINUTOS DE SABEDORIA. Rio de Janeiro, Ed. Vozes Ltda, 1994)
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